Amputação e preconceito: a história de Vanessa Valle

 em Histórias de superação

Amputação e preconceito: a amputação é uma grande mudança no corpo de uma pessoa, por isso é preciso manter o psicológico equilibrado para passar por esta mudança da melhor maneira possível. Além dos obstáculos anatômicos a pessoa tem de vencer o preconceito, que lhe julga incapaz.

Vanessa Valle conta  primeiramente como foi esse processo e o que ajudou a recuperar sua autoestima.

“Na fila de banco, as pessoas viam falar comigo, falar que sentia muito, que minha vida acabou. Eu escutava, absorvia, sofria, mas não dizia nada. Onde a gente chegava as pessoas falavam, eu nunca fui de me defender, aí quando eu comecei a falar, responder, as coisas mudaram.” relata Vanessa Valle Carvalho Mafra de Sá.

Atualmente, Vanessa está com 29 anos. Desde 2015 ela convive com uma nova realidade: A amputação de uma de suas pernas e todos os desafios decorrentes disso.

Na época do acidente Vanessa fazia faculdade e ministrava aulas de inglês. Um dia pediram que ela fizesse algumas compras para a escola. Foi então que ela saiu com a moto de seu pai. Na volta, quando atravessava um cruzamento, um carro que vinha pela outra rua não respeitou a sinalização e a atropelou. Porém, o motorista não prestou socorro.

Vanessa conta que não desmaiou e se lembra claramente do acidente. Logo após a amputação ela passou por três cirurgias. Por conta desse processo seu psicológico ficou muito abalado. Ela relata que chorava por dias e sentia dificuldade em manter a autoestima.

Duas barreiras que ela teve de vencer foram o preconceito e a mágoa. Vanessa sentia-se impotente, incapaz de continuar sua rotina e sua vida. Na época ela teve de largar o emprego e a faculdade. Essa insegurança, que vinha de dentro, era aumentada por aqueles que a observavam de fora. Estes eram olhares de pena, que confirmavam seus medos. Olhares que só enxergavam problemas.

Outro obstáculo foi o ódio que cresceu depois do acidente. O sentimento era em relação ao motorista que a atropelou. A raiva vinha do que ela havia perdido no acidente. Ela sentia-se vítima de uma injustiça, pois estava sofrendo sem ter cometido crime.

Amputação e preconceito: superação

Então, Vanessa começou a pesquisar sobre pessoas que também tiveram membros amputados. Devido esse contato, ela viu histórias de pessoas que casaram novamente, arranjaram novos empregos e até tornaram-se atletas. Essas histórias de superação lhe deram forças e ânimo para seguir. Sendo assim, o ódio que ela sentia passou.

O apoio de seu companheiro também foi fundamental. Na época do acidente, o casal estava com apenas quatro meses de namoro. O relacionamento continua até hoje. Vanessa fala que a relação continuou naturalmente. Ele sempre a apoiava indo em consultas médicas e ajudando com o tratamento.

Atualmente, Vanessa conta que é uma pessoa mais feliz. Ela diz que aprendeu a se amar e se valorizar depois do acidente. Para ela, o mais importante para a pessoa que sofreu amputação é estar perto de pessoas que lhe apoiem. Neste caso, pode ser tanto a família quanto grupos de apoio. Sobretudo, pessoas que mostrem que este não é o fim da vida e que sua capacidade não tem limites.

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