Cuidados com o coto: pré e pós cirurgia

 em Histórias de superação

Crédito: blog conforpes

A necessidade de amputação de um membro vem acompanhada por nova situação de vida e uma série de dúvidas sobre o futuro. Muito do que acontecerá a seguir depende da maneira como o procedimento é encarado. De fato, trata-se de uma solução para evitar o risco de morte iminente ou aliviar uma situação de sofrimento.

Reunimos informações sobre as principais fases do processo. Você verá quais são os preparativos antes da cirurgia e as recomendações para a recuperação e o uso de próteses. Por fim, apresentamos as principais orientações médicas para cuidar do coto, o membro residual que fica após a operação.

Quais são as precauções antes da amputação?

A cirurgia é precedida por uma série de testes que inclui exames no coração, circulação e pulmões. Quando se trata de uma amputação planejada, os médicos também explicam tudo que você precisa saber sobre o procedimento. Sendo assim, aproveite as consultas para tirar qualquer tipo de dúvida, sem hesitação.

Fisioterapeutas costumam indicar alguns exercícios para fortalecimento da musculatura antes da cirurgia. A ideia é praticar situações como a transferência correta da cama para a cadeira de rodas, algo que facilita o pós-operatório.

Além disso, é recomendável conversar com técnicos ortopédicos para estudar tipos possíveis de próteses para o seu caso. Isso trará uma boa noção do que esperar durante a reabilitação.

Por se tratar de uma situação dramática, o apoio psicológico é essencial. Além de aliviar a pressão sobre você e sua família, a terapia ajuda a ganhar força para lidar com conflitos mentais.

O ortopedista e traumatologista Marco Guedes, especialista em tratamento de amputados, sabe perfeitamente a importância disso. Ele teve a perna esquerda amputada depois de um acidente de moto, em 1974. Em entrevista ao site do Dr. Drauzio Varella, Guedes conta que tem um “truque” para falar com os pacientes.

“Passei mais da metade da minha vida amputado abaixo do joelho. Fica fácil mostrar aos pacientes o que acontece com um indivíduo nessa situação. Levanto a calça, tiro e coloco a perna, pulo em cima dela e falo da minha vida. Muitas vezes, eles saem do consultório aliviados e com a decisão tomada.”

Descobrir como outras pessoas enfrentaram a situação e conhecer suas experiências traz uma nova consciência. Você verá que é possível ter qualidade de vida após tantas mudanças.

Como é a recuperação?

As principais preocupações pós-cirurgia são a cicatrização do membro residual e uma recuperação que permita a adaptação da prótese. Geralmente, a ferida da amputação leva até quatro semanas para formar uma cicatriz. Entretanto, o processo completo de cura tem duração de um ano e meio, aproximadamente.

Além de reduzir ou eliminar a dor, a primeira fase da recuperação tem outros dois objetivos: fazer com que o membro residual suporte peso e adquira a mobilidade ideal. Os médicos indicam a necessidade de se posicionar corretamente na cama para evitar o enrijecimento de músculos e articulações.

A fisioterapia para fortalecimento de torso, braços e pernas são fundamentais. Por meio de exercícios com pesos leves, o paciente se acostuma com os padrões de movimento do coto.

Como ter a prótese correta?

Algumas situações permitem que uma prótese provisória seja adaptada logo após a amputação de um membro. Ela é utilizada até que a prótese definitiva fique pronta, o que pode levar algumas semanas. É necessária a avaliação de médico, fisioterapeuta e técnico ortopédico para cada caso.

Os especialistas mostrarão como usar a prótese corretamente e você aprenderá os procedimentos corretos para colocá-la e tirá-la. Ela deve ser limpa diariamente para remover a transpiração e partículas de pele. A ideia é que o paciente desenvolva autonomia para fazer tudo sozinho.

Quais são os cuidados com o coto depois da amputação?

Além de pensar na prótese, é fundamental ter cuidados especiais com o coto. A higiene diária do membro residual para evitar complicações inclui os seguintes itens:

  • lavar com água morna e sabão neutro pelo menos uma vez ao dia;
  • secar com toalha macia, sem raspar a cicatriz;
  • massagear com creme hidratante para evitar a descamação da pele, melhorar a circulação e manter a flexibilidade da pele.
  • proteja com faixas, acompanhadas por meias de compressão ou ligaduras elásticas;
  • evite apertar as faixas com muita força, pois isso compromete a circulação.

Além da higiene e dos cuidados básicos, veja outras precauções que contribuem com o tratamento após a amputação de um membro:

  • mantenha o coto em posição funcional, como se o membro estivesse completo, para manter a mobilidade;
  • exercite o coto com pequenos movimentos ao longo do dia para preservar a circulação sanguínea;
  • tome banhos de sol para receber vitamina D, pois ela fortalece a pele e os ossos;
  • consuma alimentos que ajudam a cicatrização, como brócolis ou morangos, e beba muita água.

Alguns sinais indicam a possibilidade de infecções ou comprometimento na circulação do membro residual. Procure o médico caso perceba as situações abaixo:

  • calor, coceira e vermelhidão no coto;
  • líquido amarelado vazando pela cicatriz;
  • odor desagradável;
  • o coto está frio, mesmo quando você usa meias de compressão;
  • ínguas próximas ao coto;
  • pele do coto cinzenta ou azulada.

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