Depoimento – Lars Grael

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LARS GRAEL – PERNA AMPUTADA

Lars Grael começou sua vida esportiva muito cedo. Seu pai era militar do Exército Brasileiro amante da educação Física e grande incentivador do desporto, por isto os Grael sempre gostaram de praticar esportes.

O iatista Lars GraelMas na família do Coronel Dickson Grael, oriundo de Dois Córregos, no interior paulista, não havia a tradição da vela. Ela veio dos dinamarqueses da família Schmidt que por tradição do seu país sempre velejaram. O patriarca Preben Schmidt originalmente praticava o hipismo, mas ao chegar no Rio de Janeiro, no princípio do século passado e se deparar com a Baía da Guanabara logo comprou um barco e começou a velejar. A paixão passou para os filhos Axel, Erik, Ingrid e Margarete que por sua vez legaram também aos seus descendentes o amor pelo mar.

Por isso, Lars começou a velejar cedo, só que de maneira lúdica. Quando morou em Brasília, Lars freqüentou as aulas de vela do Iate Clube e começou a competir de Optimist e Pinguim. Depois, foi como proeiro do irmão Torben, na classe Snipe, já morando em Niterói, que eles conquistaram os primeiros títulos de expressão: bi-campeões brasileiros e Campeões Mundiais. Mas foi no Tornado, o velocíssimo catamarã olímpico, que Lars mais títulos conquistou. Além das duas medalhas de Bronze, em Seoul 1988 e Atlanta 1996, ele ainda foi penta-campeão sul americano, 10 vezes campeão brasileiro e campeão de tradicionais semanas de vela, como Kiel, na Alemanha, além de representar o Brasil também nos Jogos Olímpicos de Los Angeles 1984 (7º) e Barcelona 1992 (8º). Atualmente, Lars compete nas classes Star e Oceano, sempre conquistando títulos e se destacando nas raias.

Ao longo da sua vida Lars sempre se interessou por política, uma tradição herdada do pai, que mesmo dentro do Exército teve atuação política destacada, principalmente no final da ditadura militar, quando lutou pela redemocratização do país. Lars foi uma liderança em todas as classes e clubes em que velejou, chegando até a ocupar cargos de direção em algumas delas como a Tornado, Soling e Oceano.

Foi também sempre um exemplo de esportividade e lisura, sendo Membro do Conselho Fundador da WADA – Agência Antidoping Mundial e tendo recebido o prêmio de Ética no Esporte do COI – Comitê Olímpico Internacional.

Depois do acidente de 1998 em Vitória, ele foi convidado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso a integrar os quadros dirigentes do INDESP – Instituto de Desenvolvimento do Desporto, uma autarquia ligada ao então Ministério do Esporte e Turismo. De lá, por sua postura sempre firme, correta e apaixonada na defesa do esporte nacional, Lars galgou vários postos chegando a ser Secretário Nacional de Esportes no governo FHC. No final do governo, foi convidado pelo Governador de São Paulo Geraldo Alckmin para assumir a Secretaria Estadual da Juventude, Esporte e Lazer, cargo que ocupou até março de 2006.

Lars Grael é o filho caçula de Ingrid Schmidt Grael e Cel. Dickson Melges Grael. Nasceu em 09 de fevereiro de 1964 em São Paulo – SP. Seus irmãos mais velhos são: Axel, engenheiro florestal e presidente do Instituto Rumo Náutico que administra o Projeto Grael e Torben, velejador e um dos principais atletas brasileiros.

Como filho de militar, Lars morou em várias cidades mas, aos 16 anos, seguindo os passos dos irmãos mais velhos, foi morar com a avó em Niterói – RJ onde podia levar adiante a prática da vela e o sonho olímpico. Sempre muito ligado à família, Lars velejou primeiro ao lado do irmão Torben e depois se juntou ao primo Glenn Haynes com quem participou de sua primeira Olimpíada em Los Angeles, aos 20 anos.

Em 14 de dezembro de 1988, nasceu sua primeira filha, TRINE, que mora em Niterói com sua mãe. Em 1995, casou-se com Renata Pellicano e começou a velejar com seu cunhado Kiko Pellicano ao lado de quem foi medalhista nas Olimpíadas de Atlanta. Em 12 de março de 1997 nasceu o segundo filho, Nicholas, que seguindo os passos do pai é louco por esportes. Joga futebol, basquete e pratica natação e judô.

Quando Lars Grael sofreu o acidente que lhe causou a amputação da perna direita, em setembro de 1998, ele velejava com outro primo como proeiro, o Anders Schmidt. Nos dois meses que precisou ficar longe de casa, a família se uniu em torno dele. Foi de forma incansável que Axel atendeu jornalistas, sua mãe Ingrid e Andréa (esposa do Torben) recebiam visitas, cartas e e-mails e a Renata acompanhava médicos e enfermeiros nos cuidados com o Lars.

Ao ser convidado para trabalhar no Ministério de Esportes e Turismo, apenas 4 meses após o acidente, Lars Grael, Renata e Nicholas se mudaram para Brasília onde moraram por 4 anos. E, em 20 de janeiro de 2000, em Brasília, nasceu a caçulinha Sofia que, como Lars sempre diz é o maior presente do papai de depois do acidente.

http://www.larsgrael.com.br/

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