O substantivo Presidente é uma palavra forte. Revela alguém com poder para decidir, escolher, planejar, ditar os rumos de uma nação, uma instituição ou uma comissão. Nos momentos de calmaria ou crise cabe ao presidente usar suas habilidades para determinar o rumo da história e trabalhar em conjunto com as pessoas que os cercam, demais cargos, para resolverem os problemas e dificuldades que vão aparecer no meio do caminho. Ao longo desses anos de trabalho, vendendo palestras na área da segurança do trabalho, atuamos diretamente com muitas CIPAs (Comissão Interna de Prevenção de Acidente de Trabalho), RH ou área da Segurança do Trabalho. Nessas idas e vindas a figura do Presidente da CIPA chamou nossa atenção. Pessoas dedicadas que não medem esforços para assumirem suas obrigações e fazerem de tudo para que acidentes de trabalho não aconteçam. Por dois anos eles são eleitos em votação direta e escolhidos para dar vazão às questões da segurança no trabalho. Muitas vezes são eles que nos telefonam e falam com voz vibrante “Olá eu sou o fulano, Presidente da CIPA de tal empresa”.

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Na Cia Cacique de Café Solúvel, CAfé Pelé, conhecemos o presidente da CIPA Ericson Ferreira de Oliveira, gestão 2012-2014. Foi ele que enviou o primeiro email para obter informações e negociou com xos demais a escolha do que seria realizado. Em cada abertura das palestras lá estava ele a pegar o microfone e falar sobre as expectativas da SIPAT 2014 e do trabaho realizado por ele e seus companheiros na CIPA. Em suma, cabe ao presidente da cipa ter sensibilidade, bom senso, sensatez, camaradagem para eercer seu cargo com sabedoria e perspicácia. No texto abaixo, Ericson comenta sobre esse papel fundamental do Presidente de Cipa na busca por segurança do trabalho.

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O PAPEL DO PRESIDENTE DA CIPA.

Por: Ericson Ferreira de Oliveira – Presidente da CIPA – Cia Cacique de Café Solúvel

Para tornar o ambiente de trabalho compatível com a preservação da vida e promoção da saúde do trabalhador foi criada a Norma Regulamentadora nº 5 – também conhecida como NR 5, documento normativo que estabelece o funcionamento, dentro das organizações, da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA). Para que tal ideal seja atingido, a NR 5 atribui à CIPA o dever de cumprir com um rol de atividades consideradas essenciais para a segurança do trabalhador como: identificação dos riscos dos processos de trabalho com a elaboração de mapa de riscos, concepção de plano de trabalho, implementação de medidas de prevenção, realização periódica de verificações de segurança nos ambientes de trabalho, divulgação de informações de segurança e saúde ao trabalhador, avaliação de impactos na segurança de alterações em ambientes e processos de trabalho, requerimento de paralisação de máquinas onde houver risco à segurança ou saúde, colaboração no desenvolvimento e implementação do Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO) e do Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA), divulgação e cumprimento das Normas Regulamentadoras e cláusulas de acordos ou convenções coletivas relativas à segurança ou saúde do trabalho, participação de análise de causas de doenças e acidentes de trabalho, bem como a proposição de soluções; requisição de informações e documentos pertinentes à segurança junto ao empregador, promoção da Semana Interna de Prevenção de Acidentes do Trabalho (SIPAT), e participação de campanha de prevenção da AIDS. A Nr 5 determina que, para a coordenação destas atividades, o empregador designe um representante para assumir o papel de presidente da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes.

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Ao ser designado, deparando-se com tamanha responsabilidade, é natural que o novo presidente se sinta apreensivo frente à aparente complexidade da nova função, uma vez que, não raramente, encontra-se à frente de uma nova equipe, tão inexperiente quanto ele nas ações de segurança. Entretanto, passada a reação inicial, é hora de reunir as informações necessárias para o planejamento de uma gestão eficiente. Sendo uma Comissão Interna de Prevenção de Acidentes composta por indivíduos de naturezas distintas e de características multidisciplinares, é necessário reconhecer o potencial da equipe em função de sua pluralidade e planejar um cronograma de realização anual para o cumprimento de todas as exigências da NR 5. Também é um bom momento para iniciar a discussão acerca das tarefas adicionais que serão utilizadas pela nova gestão para o combate efetivo ao acidente e preservação da saúde do trabalhador.
Conforme comandos da NR 5, a CIPA deverá realizar reuniões ordinárias mensais, de acordo com o calendário preestabelecido. Observa-se que, comumente, uma reunião por mês é o aplicado para o atendimento da norma vigente. Em nossa experiência de trabalho, usamos uma abordagem tripartida para o gerenciamento das ações de segurança da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes. Elaborou-se um calendário para reunião ordinária mensal com todos os integrantes da CIPA, e ainda, além da reunião mensal, dividimos os membros em três grupos distintos para reunirem-se em outras situações, a fim de tratar de assuntos de segurança por especialidades, assim elencadas: a) investigação de acidentes, b) Inspeção de segurança e c) marketing.
O grupo de Investigação de Acidentes, dotado de integrantes que estarão mais intimamente ligados com o Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho (SESMT), será o responsável por efetuar um acompanhamento efetivo, em conjunto com os profissionais de segurança, no procedimento investigatório de acidentes que ocorrerem durante a gestão. O desafio maior deste grupo será encontrar a causa raiz do acidente, discutindo e criando meios para evitar sua reocorrência no mesmo local e em situações análogas em outras localidades. Este grupo colocará em prática ações de segurança imediatas para a contenção emergencial do risco e promoverá o estudo para o desenvolvimento de ações mediatas para eliminação total do risco, ou implementar a sistematização de seu controle.

 

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Um segundo grupo, de Inspeção de Segurança, nasce com a finalidade de identificar os riscos inerentes às atividades de trabalho através da utilização de dois recursos principais: a) realização de inspeções periódicas nos locais de trabalho, através de investigação visual direta, ou auxiliado por um checklist de segurança, desenvolvido pelo próprio grupo, objetivando a identificação de condições ou ações inseguras que possam vir a ser causa de acidentes futuros; b) a criação de canal de comunicação entre a CIPA e os demais colaboradores para o recebimento de relatos, comunicados, solicitações de segurança e acolhimento de propostas de melhorias que possam ser emitidas de todos os setores da organização. Este grupo identifica os riscos, propõe soluções, define o responsável para a eliminação ou controle do risco, estabelece prazos, monitora o andamento e verifica o cumprimento e eficácia das ações.
O terceiro grupo é o de marketing, que traz em si o desafio de influenciar o comportamento prevencionista das pessoas nas atividades de trabalho do cotidiano, desenvolvendo estratégias para interação entre a CIPA e os demais trabalhadores. Dentre suas atribuições e possibilidades de trabalho estão: a) divulgação de informações sobre segurança aos colaboradores; b) elaboração e divulgação de campanhas de saúde e segurança; c) promoção de atividades lúdicas de segurança como: concurso de frases de segurança, festival de cartazes de segurança, festival artístico de segurança; c) ações socioambientais; d) promoção de comemorações por metas atingidas de períodos sem acidentes. Enfim, um grupo formado por pessoas dinâmicas e criativas, imbuídas no compromisso de manter a chama prevencionista sempre acesa, através de um ditado simples: “quanto mais o trabalhador ouvir falar sobre segurança, menos ouvirá falar sobre acidentes”.
Uma vez definidas as equipes e seus escopos de atuação, resta identificar uma maneira de trabalho e interação entre os membros dos grupos. No modelo apresentado, torna-se necessária a escolha de um líder para cada equipe, que será o elo entre o presidente da CIPA e os demais membros dos grupos de trabalho. Em nossa gestão criamos a seguinte estratégia: uma vez por semana o presidente da CIPA reúne-se com os líderes das três equipes juntos. Encontro rápido e dinâmico, tendo como entrada: sugestões, e como saída: ações. Na reunião se discute a proposta trazida pelo representante de cada grupo e deliberam-se as ações pertinentes. Na sequência, o líder de cada grupo leva as diretrizes para cada equipe específica, que realiza a atividade proposta. Os resultados das atividades realizadas servem de entrada para a próxima reunião semanal entre o presidente da CIPA e os líderes de grupos, que verificam a efetividade da atividade desenvolvida e geram novas saídas de ações de segurança, num ciclo contínuo que só termina no término da gestão. Nas reuniões ordinárias mensais, todos os integrantes se reúnem em um grande grupo unificado.
O sistema implementado mostrou-se altamente eficiente em sua aplicação, pois as metas de trabalho foram em muito superadas. Os itens obrigatórios da NR5 foram cumpridos na íntegra e vários outros projetos foram desenvolvidos em conjunto, como: a) criação de edital exclusivo para segurança dentro da empresa; b) desenvolvimento de equipe dedicada à divulgação de informações de segurança; c) lançamento de mascote de segurança; d) divulgação de cartazes com fotos dos cipistas nos setores; e) criação de canal de comunicação para inspeções de segurança; f) promoção de concurso de frases de segurança; g) criação de jornal informativo de segurança; h) realização de campanhas: antitabagismo, combate à AIDS, prevenção ao câncer de mama (outubro rosa), prevenção ao câncer de próstata (novembro azul), prevenção de acidentes de trânsito; i) aplicação de programa de meta acidente zero; j) comemorações de metas de segurança atingidas; k) festival de cartazes para filhos de colaboradores; l) participação em atividade socioambiental com desenvolvimento de oficina de reciclados; m) descoberta de talentos internos para realização de festival de segurança na Semana Interna de Prevenção de Acidentes do Trabalho; n) criação de DVD de talentos de segurança; o) desenvolvimento e aplicação de check list de segurança; p) realização de blitz de segurança nos setores; q) criação de equipe de inspeção de segurança que atingiu o índice de realização de 105 inspeções de segurança, promovendo de forma efetiva 87 melhorias nos locais de trabalho. Enfim, cumpriram-se mais que os requisitos legais para uma gestão de CIPA desenvolvendo uma série de armas a serem utilizadas na guerra contra os acidentes e recrutando e equipando vários soldados para delas fazer uso. Uma gestão se vai e a outra vem, mas o papel do presidente da CIPA não muda nunca, que é o de estar sempre pronto para lutar o bom combate na infindável guerra contra os acidentes.

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